Descansar no que somos

O mês de Agosto é, para uma boa parte da humanidade, tempo de férias e descanso. Mas não queremos esquecer os que, em outros lugares do mundo, sobretudo no hemisfério sul, estão no seu tempo de atividade. Tendemos a pensar que o tempo de descanso só está destinado ao tempo de férias, mas não é assim.

Vejamos o exemplo do Papa Francisco.  O seu tempo de férias não implica uma saída do Vaticano, ele permanece na sua residência, a casa de Santa Marta. Ficam suspensas as suas atividades normais, como as audiências e missas públicas, mas o seu ritmo diário não sofre grandes alterações. Da parte de pessoas próximas ao Santo Padre, explica-se o que muda nestes tempos: “Muda, pelo contrário, e muito, o tempo que o Papa Francisco dedica à oração, ao estudo, à leitura, a ouvir música, bem como aos temas próprios do seu cargo”.

Aprendamos um pouco deste exemplo para vivermos o descanso, seja em férias, seja em atividade. Longe dos nossos ritmos habituais, poderemos ter tempo para nos dedicarmos àquilo que nos vamos queixando ao longo do ano, que os afazeres não nos deixam fazer: tempo para rezar, tempo para nos cultivarmos, tempo para a leitura e a arte.

Mas saliento um ponto: “os temas próprios do seu cargo”. A pergunta vai direta ao essencial: Quais são os temas próprios do meu cargo, de quem sou? Fora do trabalho somos pais, mães, filhos, avós, cristãos, amigos… O verdadeiro descanso é sermos mais o que nos define como pessoas na nossa relação com Deus e uns com os outros. Um tempo de qualidade espiritual e humana é tão ou mais importante que o tempo para dormir ou não fazer nada. É um tempo que nos recria e nos ajuda a sentirmo-nos inteiros no que somos mais profundamente.

Fonte: Click To Pray