A nossa salvação está próxima

1. O Salmo 84, que agora proclamámos, é um cântico jubiloso e repleto de esperança no futuro da salvação. Ele reflecte o momento exaltante da volta de Israel do exílio na Babilónia para a terra dos antepassados. A vida nacional recomeça naquele querido lar, que tinha sido apagado e destruído pela conquista de Jerusalém por parte do exército do rei Nabucodonosor, em 586 a.C. De facto, no original hebraico do Salmo ouve-se ressoar repetidamente o verbo shûb, que indica a vinda dos deportados, mas significa também “vinda” espiritual, isto é, “conversão”. Por conseguinte, o renascimento não se refere apenas à nação, mas também às comunidades dos fiéis, que tinham vivido o exílio como uma punição dos pecados cometidos e que viam agora a repatriação e a nova liberdade como uma bênção divina, em virtude da conversão alcançada.

2. O Salmo pode ser acompanhado no seu desenvolvimento, segundo duas etapas fundamentais. A primeira, marcada pelo tema da “vinda”, com todos os valores que mencionámos. Celebra-se antes de tudo a vinda física de Israel: “Senhor… Vós sois quem restaurais a parte de Jacob” (v. 2); “Restaurai-nos, ó Deus, nossa salvação… Será que já não nos restituirás a vida…?” (vv. 5.7). Este é um precioso dom de Deus, que se preocupa em libertar os seus filhos da opressão e se empenha na sua prosperidade. Com efeito, Ele “ama tudo o que existe… perdoa a todos, porque todos são dele, o Senhor que ama a vida” (cf. Sb 11, 24.26).

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